NOTA PÚBLICA
O Instituto do Aerodesporto Brasileiro manifesta sua preocupação diante de movimentos e decisões que vêm enfraquecendo a presença dos aeroclubes e das atividades aerodesportivas no ambiente aeroportuário brasileiro.
Um aeroclube não é apenas uma estrutura instalada em um aeroporto. É um espaço de formação, inspiração e pertencimento. É ali que muitos têm seu primeiro contato com a aviação, que vocações despertam, que o esporte aéreo encontra continuidade e que se constrói, de forma silenciosa e permanente, a base humana, técnica e cultural de todo um setor.
Ao longo das décadas, os aeroclubes consolidaram-se como centros de convivência, aprendizado e integração entre gerações. São pontos de encontro da comunidade aeronáutica e núcleos que tornam possíveis atividades e eventos cuja beleza transcende limites físicos e alcança toda a sociedade. O céu, por sua própria natureza, sempre foi espaço de fascínio coletivo, contemplação e liberdade.
Não por acaso, a própria história da aviação brasileira se entrelaça com a dos aeroclubes. Alberto Santos Dumont figurou entre os fundadores do Aeroclube do Brasil, instituição histórica que marcou a formação aeronáutica nacional. E há registros de que Ozires Silva, fundador da Embraer, frequentava desde criança o aeroclube de sua cidade, em Bauru, onde amadureceu o sonho de
produzir aviões no Brasil.
Esse dado, por si só, revela a dimensão silenciosa e transformadora dos aeroclubes: são lugares onde não apenas se aprende a voar, mas onde também nascem ideias, vocações e projetos que podem alcançar toda uma nação. Enfraquecer os aeroclubes é enfraquecer justamente o ambiente onde podem surgir os futuros praticantes, atletas, instrutores, técnicos, engenheiros, empreendedores e profissionais que sustentarão, adiante, a aviação em suas múltiplas dimensões.
Por isso, a convivência entre a atividade econômica aeroportuária e a função associativa, formativa e de interesse público dos aeroclubes não deve ser vista como exceção, mas como expressão natural de um sistema maduro, inteligente e verdadeiramente comprometido com o futuro.
Preservar os aeroclubes é preservar mais do que uma atividade. É preservar uma origem, uma cultura e um caminho de continuidade. É reconhecer que aquilo que nasce sem fins lucrativos não é, por isso, menos relevante — muitas vezes é justamente ali que se formam, se inspiram e se revelam aqueles que darão futuro ao aerodesporto, à técnica, à indústria e à própria aviação brasileira.
São Paulo, 3 de abril de 2026
Instituto do Aerodesporto Brasileiro




